O que Está Acontecendo com Nossa Inteligência Emocional e Social?

Presenciamos cada vez mais em nosso cotidiano uma sociedade polarizada em que as pessoas se contaminam por um ilusório senso de inteligência, que as leva quase sempre a interpretações rasas a respeito de assuntos que são importantes para traçar o destino do nosso futuro.
Sinto falta (e todos sentimos, acreditem ou não!) das pessoas envolvidas em leituras e discussões literárias, aprofundando-se em seus estudos pelos métodos convencionais que minha geração e as anteriores experimentaram nas décadas passadas, em que o professor e o livro eram o arrimo para o desenvolvimento dos nossos conhecimentos.
E, aos que não percebem essa privação ao pensamento crítico (e também essa perda da qualidade da reflexão profunda), saibam que o futuro de suas vidas está definitivamente comprometido com o declínio da capacidade intelectual de nossa sociedade. Essa decadência está conduzindo nossa sociedade a produzir um aumento de preconceitos e ressentimentos, extremamente prejudiciais em nossas relações sociais. Não é por acaso que vemos opositores políticos, religiosos, educacionais, culturais e, em tantos outros movimentos da sociedade, embrenhados em tantas brigas e conflitos em cujas causas e discussões pouco ou quase nada trazem de benefício para o aprimoramento da nossa democracia, ou até mesmo para o amadurecimento da nossa convivência entre as pessoas.
Precisamos ter mais capacidade e maturidade para enfrentar a contrariedade que atinge os nossos conceitos e preconceitos de tudo que julgamos ser o certo. O resultado é que vemos um número crescente de conflitos de toda sorte e natureza tentando se resolver no nosso pobre e surrado Poder Judiciário ou em situações mais graves e não menos comuns, nas peleias que acabam muitas vezes resultando em mortes.
A pobreza de nossa inteligência emocional e intelectual alcançou um nível tão deletério que vem se tornando difícil mostrar a realidade para onde está caminhando o nosso País. São desmandos absurdos, nossos cofres públicos saqueados, direitos fundamentais sendo aniquilados, a criminalidade aumentando cada vez mais em uma escala assustadora, e não encontramos discernimento coletivo para enfrentar e combater, por meio das estruturas dos Poderes Constituídos, essas mazelas que tanto assolam e aniquilam a esperança de um País melhor.
Aos poucos estamos nos permitindo deixar a vida passar sem senti-la na essência da realidade. Buscamos prazeres nas mídias sociais, nos influencers digitais, em tantas coisas banais, enquanto estamos deixando de lado o futuro. O que deixaremos para nossas futuras gerações?
Que possamos, nesse fim de ano, refletir sobre qual mundo desejamos deixar para nossos filhos e netos. Em nosso País, urge que tomemos decisões importantes para amadurecer a consciência social. Precisamos aprofundar neste tema e discutir o alcance de inúmeros conceitos essenciais para engrandecer o povo brasileiro. Uma sociedade mais justa, menos vulnerável à manipulação, só será alcançada quando dermos o devido valor à Educação, à livre manifestação do pensamento e também ao Direito de Propriedade.
Na Educação, encontraremos o alicerce para o amadurecimento intelectual da coletividade; garantindo-se a livre manifestação do pensamento, teremos o instrumento essencial para a efetiva e concreta liberdade de nosso povo sob todos os aspectos sociais. Que todos reflitam e também olhem com mais sensibilidade para a garantia do direito de propriedade, não apenas no seu conceito social, mas também para que proporcione a dignidade ao proprietário para se defender daquele que injustamente rouba à mão armada.
Nossa sociedade não conseguirá progredir enquanto houver essa dicotomia para entender o que é mais importante para sua evolução. Que possamos defender os direitos fundamentais do ser humano e combater com braços fortes a hipocrisia perpetrada pela minoria que vagueia sem rumo e sem livro.

Marcos Roberto Garcia,
é Advogado, cursou Ciências Sociais na UNESP de Araraquara. Sócio-fundador da Garcia Sociedade de Advogados em Matão.