Cidades de Médio Porte: Os Motores Discretos do Crescimento

Matão como exemplo de equilíbrio entre indústria, agro e serviços — e sua contribuição estável ao PIB paulista
No debate sobre desenvolvimento, os holofotes se voltam às metrópoles. Porém, na base do crescimento sustentado, estão as cidades de médio porte que combinam diversificação produtiva, densidade de serviços e qualidade de vida, sendo capazes de reter talentos. Matão é um caso exemplar desse equilíbrio.
Sua economia articula cadeias industriais de bens de capital e duráveis, um agronegócio tecnificado e um ecossistema de serviços empresariais e públicos que dão previsibilidade ao ciclo local. O resultado é um desempenho estável no PIB paulista, apesar de Matão estar sujeito ao choque setorial do agronegócio e aos efeitos multiplicadores que se espalham para municípios vizinhos.
Esse arranjo tem três virtudes econômicas:
- A diversificação: Quando a indústria desacelera, o agro e os serviços amortecem a queda. Quando o agro enfrenta safra difícil, a indústria e os serviços sustentam a renda e o emprego.
- A produtividade: Cidades médias com base industrial e vocação agroindustrial tendem a concentrar conhecimento aplicado, logística e fornecedores especializados, elevando o valor agregado por trabalhador.
- A atração e retenção de pessoas qualificadas: Custos de moradia mais acessíveis, menor tempo de deslocamento e serviços urbanos adequados ampliam o “salário de utilidade” e estabilizam o ciclo demográfico e de consumo.
No plano regional, Matão atua como “hub discreto”. Empresas locais se integram a cadeias de Araraquara e São Carlos, contratam serviços especializados (engenharia, TI, manutenção) e irradiam demanda sobre comércio, transporte e construção civil. No plano estadual, contribui para um padrão de crescimento descentralizado, menos dependente dos polos metropolitanos e mais sintonizado com a interiorização de investimentos.
Indicadores econômicos e sociais ajudam a enxergar essa engrenagem: A trajetória do PIB per capita sinaliza o pulso da renda local, enquanto um conjunto enxuto de indicadores — educação, saúde, emprego formal, saneamento e empreendedorismo — traduz a base de capacidades que sustenta o crescimento.
Indicadores Objetivos de Matão
| Indicador | Valor | Fonte e Ano |
| PIB Total | R$ 5,04 bilhões | IBGE, 2021 |
| PIB per capita | R$ 63.716,37 | IBGE, 2021 |
| População Residente | 79.033 habitantes | IBGE, Censo 2022 |
| Emprego Formal – Estoque de Vínculos | 25.432 vínculos | Novo Caged, dez/2024 |
| Comércio Exterior (2024) | Exportações de US$ 198,4 milhões; Importações de US$ 150,2 milhões; Saldo Comercial de US$ +48,2 milhões | ComexStat, 2024 |
Fontes:
- IBGE Cidades – Matão: cidades.ibge.gov.br
- Fundação SEADE – Perfil dos Municípios: perfil.seade.gov.br
- ComexStat (MDIC): comexstat.mdic.gov.br
Conclusão e Perspectivas
É por isso que as cidades de médio porte importam tanto. Elas conciliam diversificação produtiva com custo de vida acessível e trajetos curtos, gerando produtividade por proximidade. Em termos de política pública e investimento privado, apostar nessa rede de cidades é construir um desenvolvimento mais forte, desconcentrado e duradouro. O futuro do crescimento pode não estar onde a luz é mais intensa, mas onde a engrenagem gira de forma mais consistente.
E o que esperar de 2026? Muito trabalho, muitas alegrias, muitas dificuldades! Ano de Copa do Mundo e Eleições, ou seja, ano difícil… mas venceremos! O matonense trabalha muito e é criativo!
Parabéns, matonenses, e um excelente 2026 a todos!
Deus nos abençoe e ilumine!

Moacir José Bertaci,
é Administrador / Economista / Contabilista.