A Arte da Escuta e o Som da Transformação

A arte sempre foi, para mim, um lugar de escuta.
Escuta do outro, escuta do tempo, escuta das emoções que muitas vezes não sabemos nomear.
É na arte que aprendemos a olhar com mais cuidado para as pessoas e para o mundo.
Falar de cultura é falar de vidas reais.
De histórias que se cruzam.
De crianças, jovens e adultos que encontram nas diversas linguagens artísticas um espaço seguro para existir, aprender e sonhar.
Acredito profundamente que o acesso à cultura precisa ser democrático.
A arte não pode ser privilégio, nem exceção.
Ela precisa estar onde as pessoas estão.
Precisa chegar aos bairros, às escolas, às praças, às periferias, aos centros e aos interiores.
A música tem um poder que vai além do som.
Ela educa, acolhe e transforma.
Ela ensina disciplina sem rigidez.
Ensina convivência sem imposição.
Ensina escuta em um mundo que fala demais e ouve de menos.
No trabalho diário com coros, orquestras e projetos culturais, vejo de perto o impacto real da música na saúde mental.
Vejo jovens que encontram pertencimento.
Crianças que ganham confiança.
Pessoas que aprendem a lidar melhor com suas emoções.
A música organiza sentimentos.
Cria rotina.
Oferece sentido.
E, muitas vezes, é o primeiro lugar onde alguém se sente verdadeiramente visto e valorizado.
Quando alguém canta ou toca em grupo, aprende que não está sozinho.
Aprende que sua voz importa, mas que o coletivo é maior.
Que cada um tem seu tempo, seu espaço e sua importância.
Trabalhar com música é também um ato de cuidado.
É oferecer um caminho saudável de expressão.
É prevenir silêncios dolorosos.
É criar vínculos que fortalecem emocionalmente e socialmente.
Não formamos apenas músicos.
Formamos cidadãos mais sensíveis.
Mais atentos ao outro.
Mais preparados para viver em sociedade com respeito e empatia.
Cada ensaio é um proc
esso humano.
Cada apresentação é um encontro.
Cada projeto cultural é uma semente plantada com esperança.
Olhando para 2026, o compromisso é seguir ampliando esse trabalho.
Criar mais oportunidades de acesso.
Fortalecer parcerias.
Consolidar a música como política cultural contínua, e não apenas como evento pontual.
Queremos ocupar mais espaços.
Alcançar mais pessoas.
Formar novos públicos.
E garantir que a arte continue sendo um direito, não um luxo.
Seguiremos acreditando na música como ferramenta de educação, saúde emocional e transformação social.
Porque onde a arte chega, algo muda.
A música não resolve tudo, mas abre caminhos.
E caminhos transformam destinos.

Danilo Gomes
É maestro e educador musical