2025 nos deixou cansados: e o que fazemos com esse cansaço?


Encerramos 2025 com a sensação coletiva de que vivemos muitos anos em um só. No consultório, nas empresas e nas conversas informais, percebo o mesmo padrão: pessoas esgotadas, distraídas, reativas, tentando se adaptar a um mundo que exige velocidade, desempenho e respostas imediatas. Entramos no novo ano com celulares carregados, mas com a nossa energia emocional quase sempre no vermelho. E isso cria um desequilíbrio profundo.


Ao longo da escrita do meu livro “Musculatura Emocional e Saúde Mental” – descobri que aquilo que chamamos de força interior não nasce de grandes gestos, mas da prática silenciosa do cotidiano. Assim como o corpo enfraquece quando não se move, a saúde mental se fragiliza quando não treinamos nossa musculatura emocional: a flexibilidade, a resistência, o foco, a capacidade de esperar, de sustentar o desconforto, de pedir ajuda e de criar vínculos reais.


2025 nos colocou diante de um paradoxo: ao mesmo tempo em que estamos mais conectados do que nunca, nunca estivemos tão isolados. A hiperexposição às redes sociais produziu um novo tipo de fadiga, a “fadiga comparativa”, que corrói a autoestima e cria uma sensação constante de insuficiência. Vemos pessoas exaustas tentando parecer fortes; pessoas tristes tentando performar felicidade; pessoas sobrecarregadas sem espaço interno para simplesmente sentir.


Por isso, ao pensarmos em 2026, não precisamos de resoluções grandiosas. Precisamos de aquecimento emocional. Assim como antes de qualquer exercício físico, o corpo precisa despertar para evitar lesões, antes de qualquer grande passo na vida precisamos preparar nosso sistema interno. É esse preparo que evita fraturas invisíveis, que reduz o impacto do estresse e que nos permite sustentar aquilo que desejamos construir.


Talvez a pergunta mais honesta para o próximo ano não seja “o que eu quero conquistar?”, mas “o que preciso fortalecer em mim para suportar o que desejo?”.


Flexibilidade para lidar com o inesperado.
Resistência para continuar quando o caminho apertar.
Concentração para não desperdiçar energia.
Custo emocional equilibrado para não viver sempre no limite.
E, acima de tudo, relações reais. Porque ninguém amadurece sozinho.


Se 2025 nos mostrou nossas vulnerabilidades, que 2026 seja o ano de transformá-las em potência. Não através de promessas vazias, mas do treino contínuo, silencioso e profundamente humano da musculatura emocional.


Afinal, o futuro não depende apenas do que fazemos, mas da estrutura emocional que construímos para sustentar a vida que queremos viver.

Vitor Hugo Fregnani,
é psicólogo, advogado e psicoterapeuta corporal. Graduado em Psicologia, com formação em psicoterapia corporal de orientação neo-reichiana e formação em yoga realizada na Índia. Atua clinicamente na interface entre corpo, emoção e saúde mental, integrando fundamentos da psicologia, neurociência e práticas corpo-mente. É autor do livro Musculatura Emocional e Saúde Mental – O Treino Silencioso das Emoções, no qual propõe uma leitura clínica do desenvolvimento emocional a partir da metáfora do corpo em movimento.

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