Viajante Cósmico
Meu universo é minha casa.
A Lua ilumina o asfalto da rua
E a copa das árvores no quintal.
Um burburinho de automóveis e cigarras
Enche os ouvidos dos transeuntes apressados
Saindo do supermercado.
O universo é minha casa.
Deixo-me conduzir pelo vento às dimensões astrais.
Transfiguro-me. Sou transportado nas asas de uma coruja
Carrancuda, mas não zangada. Abro os braços e o coração
Para acolher e ser acolhido. Meteoros, planetas, galáxias
Prenhes de vida, vigor e luz: Esperança.
Minha casa é o mundo inteiro.
Deixo-me escorrer como a chuva escorre dos edifícios antigos
Onde o musgo faz morada e os grilos cantam.
Sou forte como um turbilhão que arrasta sonhos e multidões.
Onde os homens se encontram em comunhão com o eterno
E o instante fugaz se materializa.
Sou um e sou muitos à procura de um abrigo.
Sou a escuridão repleta de estrelas na longa noite transcendental.
O mundo todo cabe na cabeça de uma criança
Que brinca inocente à margem da rodovia.
Minha casa é um universo e as paredes caiadas
Delimitam, porém não encerram, a possibilidade
De alçar voos Infinitos pelo espaço sideral.
Sou uma multidão de crianças tristes Pedindo socorro.

Eduardo Waack,
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