“O Esporte Faz Amigos, Matão Faz Esportes?”


A partir de 1983 até o ano de 1996, existiu no Município de Matão um lema esportivo de autoria do saudoso político que foi prefeito e deputado estadual, Professor Dr. Jayme Gimenez: “O esporte faz amigos, Matão faz esportes!”.
Nesse período, Matão realmente promovia muito esporte amador para a população, em todas as modalidades. Assim, criou-se uma geração saudável, pessoas de caráter que se tornaram, no mínimo, bons cidadãos e pais e mães de família, além de ter revelado dezenas de jogadores que se destacaram em diversas modalidades.
A Estrutura e os Jogos Regionais

De 1980 a 1988, Matão recebeu e promoveu quatro edições dos Jogos Regionais. E, com isso, estruturou-se com a construção de praças de esportes e formação de equipes. Os Jogos Regionais voltaram para Matão nos anos de 1992, 1998, 2004 e 2018.
Foi no período de 1980 a 1992 que foram construídos: o Ginásio de Esportes Décimo Chiozzini, o Ginásio Professor Armando Teodorico Gomes, o Ginásio Carlos Alberto Magalhães, o Ginásio Geraldo Monazzi, o Ginásio Duvílio Cavichiolli, o Ginásio Aparecido Orlando Calera, a piscina olímpica no Conjunto Poliesportivo, a pista de atletismo ao redor do estádio Beira Rio, a Quadra de Tênis Darcy Sola, a Pista de Skate, a quadra de patinação, o Conjunto de Canchas de Bocha e de Malha Dante Comparini no Conjunto Poliesportivo e o Conjunto Poliesportivo Antonio Galli, além de usar praças de esportes da SOREMA e da ADC Citrosuco.
Também foram construídos os campos de futebol: Genésio Gandin, José Roberto Venção (Beira Rio), Juvenal dos Santos, Germano Scopelli, Manoel Sabino dos Santos, José Luis Vicente, do Trabalhador, João Catharino de Oliveira, Domingos Schiavetto, Luiz Miguel Pereira, Ismael de Brito e o Parque Aliança. O Ginásio GIJA foi construído já na década de 2010.
Dois grandes salões sob as arquibancadas do Ginásio Décimo Chiozzini eram os locais de treinos do judô e do karatê.
O Auge do Basquetebol e as Escolinhas
Com as participações nos Jogos Regionais e a construção dos ginásios de esportes, surgiu o time de basquetebol do Estoril Tênis Clube que, na década de 80, foi destaque nas competições da Federação Paulista de Basquetebol, participando do campeonato estadual da principal divisão e sempre com excelentes campanhas.
Nos jogos em Matão, a torcida prestigiava o time lotando as arquibancadas do Ginásio Décimo Chiozzini, nos dois lados, além de uma multidão que ficava em pé, nas laterais e na frente do bar. Nesse time, o principal craque matonense era Marinho Paiola.
No final da década de 1980, surgiram as escolinhas de atletismo, basquetebol, futebol, futsal, voleibol, judô, natação e karatê. Foram contratados treinadores para orientar esses atletas de várias faixas etárias, masculino e feminino em algumas modalidades. Com isso, os ginásios Décimo Chiozzini, Armando Teodorico Gomes, Ginásio do Guarani, a Pista de Atletismo, a piscina e os campos do Beira Rio, Genésio Gandin e Juvenal dos Santos ficavam o dia todo ocupados com crianças e jovens de 7 a 18 anos.
Para comandar essa garotada no atletismo, tínhamos o treinador Roberto Araújo; o basquetebol estava sob a responsabilidade de Dante Rossini e Moisés da Silva para o masculino, e Nadir Leôncio Ramos de Souza para o feminino. O futebol era orientado por Elídio Araújo, Aparecido Bernardes, Zé Ferreira; no futebol feminino, o treinador era Moacir dos Santos; no futsal, a responsabilidade era minha (mirim, infantil, infantojuvenil), auxiliado por Elci de Oliveira. No voleibol, os treinadores eram Sandra Mara Leão (feminino) e masculino. Na natação, Eduardo Machado e Wagner Augusto Ferreira eram os professores. O xadrez tinha Mario Silas Biava, auxiliado por Fábio Frare. No judô, o treinador era Gilson de Vito e no karatê, Davison Tosadori.
Essas escolinhas tiveram muitos destaques; matonenses brilharam em competições de federações, em Jogos Regionais e Jogos Abertos do Estado de São Paulo. No basquetebol, formou-se uma boa equipe feminina treinada por Dante Rossini e, no masculino, um forte time dirigido por Moisés da Silva. No voleibol, foram formadas as equipes masculina, dirigida por José Paulo Peron, e feminina, dirigida por Tuti. O voleibol feminino já na década de 1960 conquistou o Bicampeonato Escolar Estadual. O futsal formou uma excelente equipe que venceu o campeonato paulista de 1994 e se tornou tricampeão paulista do Troféu Piratininga, em 1994/1995/1996. Nas modalidades individuais — judô, karatê, atletismo, natação —, muitas medalhas foram conquistadas.
A modalidade Xadrez foi a grande arrebatadora de medalhas em jogos regionais e abertos, em especial as medalhas de ouro. A equipe começou ganhando a medalha de ouro nos Jogos Regionais de Catanduva, em 1961, com os enxadristas Geraldino de Oliveira Simões (Dinho do Cartório), Waldir M. Oliveira, Mário Silas Biava, Elias Rachid e Alzir Biava.
A Rotina dos Ginásios e os Campeonatos de Futebol

Nas décadas de 1980 até os primeiros anos deste século, os ginásios Armando Teodorico Gomes, Décimo Chiozzini e Carlos Alberto Magalhães estavam todos os dias ocupados e lotados, desde as 8 horas da manhã até as 22 horas, de segunda-feira a sexta-feira. Após as 20 horas, os horários eram liberados e agendados para os times de futsal das empresas, dos bairros, de grupos de amigos; enfim, era agendado para uso da população. O agendamento dos horários era feito toda segunda-feira, na sede do Departamento de Esportes da Prefeitura.
Os jogos das equipes principais de cada modalidade eram disputados aos sábados e aos domingos, e os torcedores sempre lotavam os ginásios.
Os campeonatos de futebol eram um capítulo à parte! Os jogos eram disputados aos sábados de manhã para as categorias mirim e dente de leite, aos sábados à tarde para a categoria veteranos e aos domingos de manhã para juvenil e à tarde para as categorias aspirantes e amador. Os jogos eram disputados nos estádios: José Roberto Venção (Beira Rio), Genésio Gandin, Juvenal dos Santos, Manoel Sabino dos Santos, Germano Scopelli, João Catharino de Oliveira, Domingos Schiavetto, Luiz Miguel Pereira, do Trabalhador e José Luiz Vicente. O campeonato amador era dividido em primeira e segunda divisão, nas categorias aspirante e amador. Também no futebol, muitos torcedores lotavam os barrancos para assistir aos jogos.
Também tínhamos campeonatos de Bocha e de Malha, em duplas, com os jogos disputados nas canchas existentes no Conjunto Poliesportivo Laert José Tarallo Mendes.
Histórico Esportivo
É bom dizer que, desde a origem do município, o esporte já era praticado em Matão. Assim, em 1908, foi fundado o primeiro clube de futebol, o Sport Club Matonense, que jogava no campo situado atrás da igreja, onde hoje está a EE José Inocêncio da Costa. Com a desapropriação do terreno para a construção da escola, o campo passou para o terreno pouco abaixo de onde está hoje o hospital.
Ainda nessa época, existiam outros clubes como o Gabiraldino e o Operário, por exemplo. No início da década de 20, foram criados os times do Esporte Clube 7 de Setembro e o Silvânia, no bairro do mesmo nome, e o Esporte Clube Dobradense.
Nas décadas de 30, outros times surgiram: Club Atlético Juventus, Matão Esporte Clube, São Paulo FC, Esporte Clube Bandeirantes, Vila Santa Cruz FC. Nas décadas seguintes, surgiram o A. Capitão Padilha, o Clube Atlético Matonense, o São Lourenço Futebol Clube, que rivalizaram as competições matonenses, agora já com o Estádio Municipal Dr. Hudson Buck Ferreira sendo utilizado.
E o basquetebol, que ainda era denominado Bola ao Cesto, tinha os fortes times do Stella D’Italia e Sport Clube 7 de Setembro.
A Crítica Atual
Por isso, o lema “O ESPORTE FAZ AMIGOS, MATÃO FAZ ESPORTES” fazia todo sentido.
Fazia. Hoje, infelizmente, o esporte vive apenas de campeonato de futebol nas categorias amador, primeira e segunda divisões, além das categorias veteranos e máster.
É isso: não temos mais as escolinhas municipais. Não temos mais renovação. Não temos mais os campeonatos das revelações, em todas as modalidades.
Hoje, os campos ficam vazios, os ginásios ficam fechados durante a semana, dia e noite. Nos finais de semana, então, dá dó: em todos os ginásios, só encontramos cadeados nas portas.
Por isso, o título da matéria faz, sim, justiça ao que vivemos hoje: “O Esporte faz amigos, Matão faz esportes?”. Isso, terminando com o ponto de interrogação.
Então, o que esperar para 2026?
No mínimo, eu espero que se lance a semente para que, daqui a cinco ou seis anos, possamos colher bons frutos, ou seja, bons atletas.
Feliz e Santo Natal e que 2026 nos traga dias melhores.

Luiz Cesar de Oliveira,
é Coordenador do CPP e Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão da Paróquia Senhor Bom Jesus; Administrador de Empresas e Professor de Matemática Financeira e Comercial.