Reflexões Atuais: Entre Mudanças Aceleradas e a Busca por Sentido

Meu nome é Alessandra, tenho 50 anos de vida, quero aqui refletir com vocês leitores, pois vivemos um tempo peculiar da história humana, nunca houve tanta informação disponível, nunca houve tantos avanços tecnológicos e nunca estivemos tão ligados e, absurdamente, tão desconectados ao mesmo tempo.
A situação atual do mundo, a meu ver, caracteriza-se por uma grande tensão entre o que podemos ser e o que realmente estamos a conseguir ser enquanto sociedade. É um momento em que convivem otimismo e incerteza, inovação e desigualdade, progresso e cansaço coletivo.

Nos últimos anos, assistimos a uma transformação digital sem precedentes.
Ferramentas que antes pareciam ficção científica fazem agora parte da nossa rotina, inteligência artificial, automação, comunicação global em tempo real. No papel, estas tecnologias deveriam permitir uma vida mais simples, produtiva e equilibrada. Na prática, muitas vezes geram ansiedade, pressão permanente e a sensação de que nunca conseguimos acompanhar o ritmo imposto.

A meu ver, um dos grandes desafios da situação atual é precisamente este descompasso entre o avanço tecnológico e a capacidade humana de o integrar emocional e socialmente. As pessoas exigem a si próprias níveis de produtividade quase impossíveis, como se fossem máquinas otimizadas para funcionar sem descanso.
A fronteira entre trabalho e vida pessoal atua-se cada vez mais, e muitos vivem num estado de constante vigilância digital.

Para além disso, a sociedade contemporânea vê-se confrontada com profundas transformações culturais. A globalização trouxe diversidade, mas também conflitos de valores. O que antes parecia estável, identidade, comunidade, tradições, encontra-se hoje em constante renegociação.
Este fenómeno, embora rico em possibilidades, também alimenta inseguranças e tensões sociais.

No campo da educação, o cenário não é menos desafiante.
A escola tenta adaptar-se a um mundo que mudou drasticamente, mas nem sempre consegue acompanhar essa velocidade. Os jovens vivem entre dois universos, o da instituição escolar, ainda preso a modelos antigos, e o da realidade digital, onde tudo é imediato, interativo e em constante mutação.
Esta divergência cria frustração e, por vezes, falta de motivação. A meu ver, a educação deveria centrar-se menos na repetição de conteúdos e mais na formação de cidadãos conscientes, críticos e emocionalmente preparados.

Outro aspeto que considero central na situação atual é o impacto psicológico das constantes crises globais. Pandemias, conflitos armados, mudanças climáticas, instabilidade económica, tudo isto cria uma sensação permanente de vulnerabilidade.
Nunca foi tão importante investir no bem-estar emocional, mas paradoxalmente continuamos a tratá-lo como algo secundário.
As pessoas vivem sobrecarregadas, mas raramente encontram tempo ou espaço para refletir, desacelerar e cuidar de si mesmas.

Ao mesmo tempo, há algo de profundamente inspirador neste momento histórico. Nunca tivemos tantas ferramentas para aprender, criar, partilhar e transformar. Nunca houve tantas vozes a exigir justiça social, igualdade de oportunidades e sustentabilidade ambiental. Existe um despertar coletivo para a necessidade de repensar modelos antigos, de consumo, de trabalho, de governação, de convivência humana.
Vejo a situação atual como um período de transição. Não estamos a viver um simples ciclo, mas uma mudança estrutural. A humanidade está, de certa forma, a reaprender a viver, a redefinir o que significa ser produtivo, ser cidadão, ser comunidade e ser humano. Este processo é turbulento, mas também profundamente necessário.

Acredito que o grande desafio do nosso tempo não é tecnológico, económico ou político, é humano. É a capacidade de mantermos a empatia num mundo cada vez mais acelerado. É o esforço de preservarmos a reflexão num ambiente saturado de estímulos.
É a coragem de escolher o equilíbrio quando tudo à nossa volta parece exigir pressa.

Em conclusão, a situação atual é complexa, exigente e, simultaneamente, cheia de potencial. Se conseguirmos aliar o progresso tecnológico à maturidade emocional; se formos capazes de colocar o ser humano no centro das decisões; se reconhecermos a necessidade de cooperação e solidariedade global, então este período de transição tornar-se-á uma oportunidade para construir uma sociedade mais sensata, mais justa e mais humana.
O futuro não está definido, está, neste momento, a ser escrito por todos nós.

Alessandra Vicentin,
é atual Diretora Geral da Faculdade IMMES – Instituto Matonense Municipal de Ensino Superior; Gestora Administrativa do Carvão Matão (2009 a 2018); Coordenadora dos cursos de Administração e Ciências Contábeis da Faculdade Anhanguera Matão (2014 a 2018); Coordenadora de Pós Graduação da Faculdade Anhanguera Matão (2015 a 2017); Diretora Regional de Rematrícula Núcleo Expansão Norte Nordeste – Cogna Educacional (2018 a 2019); Diretora Geral Faculdade Pitágoras Campina Grande -PB (2019 a 2020).
Formada em Administração pela Faculdade Anhanguera de Matão – Turma de 2006; MBA Gestão Estratégica de Negócios – Anhanguera Matão; MBA Engenharia da Qualidade Integrada – Anhanguera Matão; Coanching em Liderança e Eficiência na Comunicação – Master Mind; Coaching LPC – Academia Brasileira de Coaching LPC; MBA em Auditoria, Compliance e Gestão de Riscos – Faculdade Líbano

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