Fome, Desnutrição e Pobreza: Uma Questão de Saúde Pública

 Crédito: Foto: Arquivo/Agência Brasil

A fome, desnutrição e pobreza são questões que, apesar das políticas públicas implementadas ao longo das últimas décadas, continuam a afetar milhões de pessoas no Brasil e no mundo, representando um dos maiores desafios para a saúde pública. No século XXI, é alarmante que tantas pessoas ainda sofram com a escassez de alimentos e com a falta de acesso a uma alimentação adequada. As causas desse problema são complexas e multifatoriais, incluindo a má distribuição de recursos, desigualdade social, a falta de acesso à educação e a discriminação racial e de gênero, que agravam ainda mais a vulnerabilidade de diversos grupos sociais.

A fome pode se manifestar de diferentes formas, como a fome qualitativa, crônica e oculta. A fome crônica é caracterizada pela ingestão insuficiente de alimentos para atender às necessidades metabólicas do corpo, resultando em desnutrição grave. A fome oculta, por sua vez, é mais difícil de perceber, pois não se trata apenas da quantidade de alimentos, mas da qualidade nutricional deles, podendo causar deficiências de vitaminas essenciais, como a vitamina A, particularmente entre crianças em regiões mais empobrecidas, como o Nordeste do Brasil. A desnutrição é outra consequência direta desse quadro, caracterizando-se pela ingestão inadequada de nutrientes essenciais para o crescimento e funcionamento do organismo.

A desnutrição no Brasil, por exemplo, ainda afeta um número alarmante de crianças e adultos. Dados revelam que, em muitas regiões, a ingestão de alimentos de baixa qualidade ou em quantidades insuficientes leva a deficiências nutricionais graves. É fundamental destacar que a fome e a desnutrição não são problemas isolados, mas estão intimamente ligados à pobreza e à desigualdade social, que continuam a ser marcadores significativos de exclusão e marginalização.

Nos últimos anos, políticas públicas foram criadas com o intuito de combater a fome e a pobreza no Brasil. O Programa Fome Zero, implementado em 2003, tinha como objetivo garantir a segurança alimentar para toda a população, assegurando o acesso a três refeições diárias para todos os brasileiros. O Programa Bolsa Família, criado em 2004, também tem desempenhado um papel crucial, oferecendo transferências de renda para as famílias mais carentes, permitindo que elas adquiram alimentos e outros bens essenciais. Além disso, a criação da Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan) em 2006 foi um marco importante na formulação de políticas públicas voltadas à segurança alimentar, promovendo um diálogo mais eficaz entre o governo e a sociedade civil.

A desigualdade de gênero e raça também é um fator determinante para a perpetuação da pobreza e da fome. Mulheres negras, por exemplo, continuam a enfrentar disparidades salariais e a ter menos acesso a oportunidades educacionais e profissionais, o que as coloca em situação de vulnerabilidade. De acordo com estudos, homens e mulheres negras recebem uma renda média inferior à de pessoas brancas, o que agrava a situação de insegurança alimentar entre esses grupos.

A Agenda 2030 da ONU, com seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), oferece um caminho para a erradicação da pobreza e da fome globalmente. O objetivo de “Fome Zero” se propõe a garantir que todas as pessoas, em todas as partes do mundo, tenham acesso a alimentos suficientes, nutritivos e de qualidade. Além disso, os ODS também abordam questões como a igualdade de gênero e a redução das desigualdades, essenciais para criar um mundo mais justo e sustentável.

Portanto, para combater eficazmente a fome e a desnutrição, é necessário não apenas garantir o acesso a alimentos, mas também atacar as causas estruturais da desigualdade social. As políticas públicas devem continuar sendo aprimoradas, com foco na inclusão social e na promoção de um modelo de desenvolvimento mais justo e sustentável, em que todas as pessoas tenham acesso não apenas à comida, mas a condições dignas de vida e de saúde.

Ana Paula Sampaio,
Atuo desde 2018 com atendimento Home Care, acompanhando pacientes acamados, inclusive em estado vegetativo. Desde 2019, realizo atendimento nutricional em clínica, com foco na recuperação do estado nutricional de pacientes desnutridos e no emagrecimento saudável, por meio da terapia nutricional, dieta individualizada, suplementação e ganho de massa muscular. Sou revendedora da Nestlé Health Science e trabalho também com Educação Nutricional, ministrando palestras em diferentes espaços e instituições.

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