2025: O ano em que Matão acordou para o Futuro - e o que 2026 exige de nós

Ana Paula Sichieri Jardim

2025 foi um divisor de águas — um ano que, no papel, poderia parecer igual aos anteriores, mas que na vida real se comportou como um terremoto silencioso. Um ano em que a cultura, tantas vezes tratada como adorno, finalmente apareceu como motor de desenvolvimento, identidade e dignidade. Em Matão, essa virada não aconteceu por acaso; foi construída passo a passo, espetáculo após espetáculo, encontro após encontro.

Foi o ano em que a Cia Jovem de Matão deixou de ser apenas um projeto artístico e tornou-se um marco de transformação humana. Não apenas formou bailarinos; acendeu coragem, inspirou pertencimento e mostrou ao Estado de São Paulo que inovação não nasce só em laboratórios — nasce também em palcos, estúdios e sonhos coletivos. Foi o ano em que estivemos — física e simbolicamente — diante de secretários estaduais, diretores regionais, parceiros e lideranças que, ao verem o que estamos construindo, entenderam algo fundamental:

Matão não está pedindo investimento; está oferecendo futuro. E, ainda assim, 2025 não foi simples. Foi o ano em que enfrentamos a velha cultura do “isso não vai dar certo”, “aqui não é lugar para isso”, “ninguém vai apoiar”. Mas a arte tem essa mania bonita de responder com elegância: ela insiste. Insistimos. E vencemos.

O Que 2025 Nos Mostrou

2025 deixou claro que:

 

    • A cidade quer — e precisa — de oportunidades culturais.

    • Os jovens têm fome de futuro, mas não podem continuar indo embora para encontrá-lo.

    • A economia criativa não é luxo: é estratégia de desenvolvimento econômico sustentável.

    • Parcerias com o Estado, com empresas e com organizações sociais só fazem sentido quando partem da verdade e da coragem.

Foi também o ano em que a visibilidade institucional ganhou força: reuniões com lideranças, presença em agendas políticas, conversas sobre desenvolvimento econômico e humano, o reconhecimento de que a cultura é tão produtiva quanto a indústria.

Mas o mais forte de 2025 não está nos relatórios. Está no olhar dos jovens artistas que descobriram que pertencem a algo maior que eles. Está no insight de que Matão pode — e deve — formar talentos. Está na convicção de que a arte não é entretenimento: é educação emocional, é política pública, é engenharia de futuro. E o Que 2026 Nos Pede?
2026 chega como um portal aberto.

E portais exigem escolhas. Ele nos pede maturidade para sustentar o que começou, ousadia para expandir e humildade para aprender ainda mais. Se 2025 foi o ano do despertar, 2026 será o ano da consolidação: a hora de transformar inspiração em estrutura. O que isso significa, na prática?

1. Institucionalizar a mudança
Um Centro de Educação Profissional em Artes não é mais sonho: é necessidade. É a peça que falta para impedir a fuga de talentos e construir uma economia baseada em criatividade, tecnologia e impacto social.

2. Criar massa crítica
Quando reunimos jovens artistas de Matão, Taquaritinga, Araraquara e Ibitinga, criamos vida urbana, economia de serviços, cultura de consumo, movimento territorial. Cidades prosperam onde há fluxo humano. Arte gera fluxo.

3. Transformar política pública em política de futuro
2026 precisa ver os primeiros passos formais: projetos, diagnósticos, participação social, investimento, governança. Não é só sobre dançar: é sobre planejar com visão de 20 anos.

4. Ampliar a rede
Transformação não acontece sozinha.
Precisamos de Estado, empresas, universidades, secretarias, conselhos, imprensa e sociedade civil.
Quanto mais gente tocada por esse movimento, mais ele se fortalece.

5. Manter o fogo aceso
Fé, disciplina e poesia — a tríade que protege revoluções silenciosas.
2026: O Ano em que Matão Decide Quem Quer Ser Toda cidade, em algum momento, enfrenta sua pergunta definitiva:

Vamos repetir o passado ou escolher um futuro maior que nós mesmos? Em 2026, Matão terá essa chance.

E se houver coragem coletiva, veremos nascer aqui:

 

    • um ecossistema regional de formação artística,

    • uma economia criativa pulsante,

    • jovens permanecendo na cidade,

    • empresas apoiando projetos que geram valor humano e econômico,

    • uma identidade cultural forte o suficiente para atravessar fronteiras.

Porque, no fim, o que estamos construindo não é só uma companhia de dança. É uma nova lógica de desenvolvimento. Uma nova forma de viver a cidade. Um novo pacto com a dignidade humana. 2025 abriu a porta. 2026 nos chama para atravessá-la. E, se caminharmos juntos, daqui a alguns anos vamos olhar para trás e dizer com orgulho: Não foi só ballet. Foi vida — e foi o começo de tudo.

é advogada e especialista em estratégias sociais e culturais, atua na interseção entre arte, território e impacto. Dedica-se à gestão de projetos culturais, ao fortalecimento de organizações sociais e à promoção do acesso à cultura por meio de políticas públicas, incentivos fiscais e planejamento sustentável. Acredita que a arte transforma vidas – e trabalha para que mais pessoas encontrem, no palco e fora dele, caminhos de beleza, dignidade e pertencimento.

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