A Senilidade Como Aliada


Envelhecer é um desejo ou tabu?


Envelhecer traz consigo vantagens, incluindo a sabedoria e a experiência, maior equilíbrio emocional e a consolidação das relações sociais e familiares. É, também, um privilégio que oferece perspectivas e oportunidades de crescimento pessoal. Experienciar lições e vivências valiosas, mesmo as mais desafiadoras, resulta numa capacidade maior de compreensão do mundo e das pessoas, inclusive de si mesmo.

Ah, mas e as dores? E as limitações de toda ordem que chegam para mostrar que o tempo está se esgotando?

Então, com o chegar da idade, desenvolve-se um melhor controle emocional e consegue-se lidar com as pressões cotidianas com mais equilíbrio, menos ansiedade e estresse, incluindo a aceitação dos próprios limites corporais, psíquicos e mentais.

O processo de envelhecimento permite um aprofundamento no autoamor e no autoconhecimento. Desenvolve-se uma visão mais madura, real e compensadora da vida e das prioridades pessoais. Torna-se mais claro e fácil dizer “não” para aquilo que não agrega e engajar-se ao que acrescenta.

A oportunidade de se criar e fortalecer laços familiares, sociais e entre gerações pode tornar-se mais tranquila em virtude do tempo para a convivência e das experiências a serem divididas.

Em geral, com a maior idade, preocupa-se menos com a opinião alheia e padrões de estética inatingíveis. O foco é o próprio bem-estar e a saúde, o indivíduo sentindo-se bem e bonito(a).

Quantos, ditos idosos, descobrem-se perfeitamente úteis e engajados à comunidade através de trabalhos voluntários inimagináveis.

E, para a surpresa de muitos, algumas habilidades intelectuais e cognitivas podem melhorar com o passar da idade. Isso mesmo!

A produção de mielina, uma substância que envolve as conexões neurais, as sinapses, é acelerada e pode aumentar o volume da “conversa” entre os neurônios. Descoberta muito interessante!

Também são garantidos por lei alguns direitos após os 60 anos:

     

      • Gratuidade no transporte público municipal e interestadual;

      • Meia entrada em eventos culturais, esportivos e de lazer;

      • Prioridade em muitos atendimentos públicos;

      • Vagas de estacionamentos públicos e privados reservadas.

    Não se nasce pronto. A construção de cada um se dá ao longo do caminho. Se essa estrada será de 60, 70, 80, 90 anos ou mais, não dá para prever, no entanto, com os avanços das tecnologias nos campos da saúde, alimentação e lazer, a vida tem se estendido ano após ano para a maioria dos humanos, apesar dos percalços.

    É privilégio passar por algumas décadas sabendo um pouco mais de si, compreendendo um tanto mais do outro, podendo escolher de maneira mais plena e lúcida: morar acompanhado ou só, continuar trabalhando ou aposentado, acordar junto com as galinhas ou com o sol alto… analisando que algumas responsabilidades ainda cabem e devem ser gerenciadas, porém outras não mais.

    Assumir responsabilidades permanentes que são diretamente de outros, geralmente mais jovens, levam os senis a adoecer e a não realizarem os seus propósitos.

    Normalmente, após os 60/70 anos, enfrentam-se os desgastes internos naturais do organismo: encurtamento dos telômeros, disfunção das mitocôndrias, alterações nas proteínas etc. Além daqueles prováveis, provocados pelos diversos vícios e estilos de vida que é possível adquirir ao longo da vida: tabagismo, alcoolismo, sedentarismo, exposição excessiva ao sol, estresse…

    O balanço realizado entre os ônus e os bônus da senilidade é positivo, muito positivo.

    Viver é um presente cujo adjetivo mais adequado para designá-lo é “estar presente”: é deixar sua marca, é escrever sua história, é deixar sua marca por onde passar. Às vezes com resiliência, outras com resistência. Às vezes no silêncio, outras com canções. Às vezes na dor, outras na gargalhada. Às vezes na multidão, outras na solidão ou na solitude. Por quê? Porque é assim!Sejamos muito felizes com a idade que tivermos.

    Ana Lúcia de Cinque,
    possui graduação em Pedagogia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), Especialização em Educação à Distância pela UNISEB, Especialização em (PLA) Práticas de Letramento e Alfabetização e Especialização em Educação Empreendedora, pela Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), Especialização em Psicopedagogia Institucional pela Faculdade São Luís /SP, Mestrado em Educação Escolar pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) – (2006) e Doutorado em Educação Escolar, pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) – (2012). Atua como Tutora da UNESP no curso de Especialização- Educação 5.0: Metodologias Ativas e Ensino Híbrido, até janeiro de 2024. Tem experiência na área de Educação, atuando principalmente como docente em cursos de graduação em Pedagogia. Atua como Psicopedagoga no LUME- Prefeitura Municipal de Matão.

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