2025 no Retrovisor

Quando o refrigerador parou de funcionar, naquela noite de sábado, percebi o real valor de poder beber um copo de água gelada. Um pequeno luxo que nos passa despercebido cotidianamente, mesmo em dias quentes, soterrado por grandes luxos que nos tomam o tempo, a atenção e a saúde. 2025 foi o ano em que precisei tomar diversas decisões que, se talvez pouco ou nada tenham de glamour, fizeram-me caminhar mais leve em direção ao amanhã.

Observo a cidade mover-se freneticamente entre um trânsito caótico que assusta e ameaça, e a tranquilidade, ainda, dos finais de tarde onde o sol é uma mancha vermelha no horizonte, que se transmuta em amarelo, lilás, azul e, finalmente, negro. Negro salpicado por estrelas. O céu é mais belo quando o olhamos em campo aberto, pois nas urbes as luzes das avenidas ofuscam a sua grandeza. Matão é a promessa de uma existência melhor para todos nós. Quando a coletividade se expressa harmoniosamente dentro de sua desarmonia, as energias fluem e o bem comum pode ser alcançado por consenso. Temos o privilégio de viver em um município com inúmeras oportunidades de trabalho e aprendizado, nos mais diversos setores. Localização geográfica privilegiada na confluência de duas rodovias estaduais, onde se cruzam histórias, memórias, esforço, superação e conquistas.

Buscando a simplicidade nas coisas cotidianas, vejo de longe as transformações pelas quais passa a Terra da Saudade. Recentemente escrevi um texto em homenagem ao amigo Ademir de Lima. Reproduzo um trecho: “Nos conhecemos há quatro décadas, quando Matão ainda tinha um pé na tradição e caminhava a passos largos rumo ao futuro e à tecnologia. Ele é filho desta estirpe índia, negra, portuguesa, espanhola e moura — brasileira — nascido em um tempo em que vaqueiros, boiadeiros, mascates, ciganos e tropeiros percorriam as estradas poeirentas do interior paulista, fundando cidades e firmando fronteiras. E um filme passa em minha cabeça, relembrando tudo o que vi e vivi um dia, e trago aqui comigo dentro do peito: Cavalos, rodeio, currais e mangueiras, roda de amigos, cachaça & tabaco, moendas de cana, cães pastores, galpões de madeira, candeeiros, catira e viola…”

O tempo a que se refere o texto acima só existe agora idealizado em lembranças, poemas, pinturas, festas e músicas, ou reproduzido em uma fotografia. Que 2026 chegue mansamente como um sopro, uma brisa leve que passaria despercebida não fosse o frescor que a acompanha. Que tenhamos água para beber, cozinhar, lavar nossas roupas e a nós mesmos. Água para irrigar as plantações de arroz, feijão, milho, trigo e mandioca, que alimentarão o brasileiro e serão fartos em sua mesa. Água nos rios, correndo límpida sob árvores frondosas, numa fonte vertendo entre borbulhos e pios de passarinhos.

E, vivendo um dia após o outro, tenhamos a consciência de tudo o que nos rodeia e a sua importância. Que possamos nos orientar sob a luz da fraternidade, da solidariedade e da inclusão, vivendo uma sociedade sem ódios ou disputas desnecessárias. Mesmo com dúvidas ou medo, dialogar e seguir adiante. São palavras de um sonhador, não são receitas para nada. Não têm força alguma, mas, enquanto estiver vivo, eu seguirei gritando. O real valor de um copo de água só o sabe quem não tem. Quem na labuta infindável das horas vazias deixou para trás estabilidade, possibilidades, certezas, riqueza. A riqueza de poder tomar um copo de água gelada não tem preço, e sim valor. Como valorosos são os dias que passo ao lado de meu amor. Não sei se estou vivendo um tempo fora do tempo ou um tempo dentro de outro tempo. Sei que os dias passam repletos de significados e faço as coisas do meu modo: com suavidade, entrega, mansidão, aceitação da Divina vontade e muita esperança no futuro. Espero chupar mangas em 2026!

Eduardo Waack,
é

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