GEMA: Uma História que Precisa Ser Contada

LEGENDA: Em um encontro entre empresários e o vice-governador, com vários componentes do GEMA. Da esquerda para a direita: Francisco Maturro, Zezé Marchesan, Walter Baldan, Luiz Marchesan, Oscar Baldan, Oscarzinho Baldan, Vice-Governador Orestes Quércia, Dr. Sigueissa Masuda, Vilmer Baldan, José Luiz Monazzi, Carlos Fernando Malzoni, Nelson Martins, Octávio, João Marchesan e Affonso Maccagnan.
No Brasil, existe uma expressão antiga e cheia de significado: “ser da gema”. Ela marca aqueles que carregam no sangue a essência de uma cidade. Assim como a gema do ovo é o núcleo vital — nutritivo, precioso e indispensável —, o morador “da gema” é o que representa o cerne da identidade local.
Mas Matão tem um capítulo à parte nessa história. Porque, entre os anos de 1979 e 1993, surgiu uma variação inesperada e poderosa dessa expressão: “ser do GEMA”. E, aqui, não se tratava de nascença, mas de pertencimento. Ser do GEMA significava integrar um grupo de empresários que se uniu, de forma espontânea, para transformar a cidade — um movimento tão marcante quanto silencioso, tão discreto quanto decisivo.
O Nascimento do GEMA
Tudo começou quase por acaso, com um gesto simples. Um dos acionistas alemães da Citrosuco, hospedado na Fazenda Santa Carolina, visitou a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus e estranhou seu estado de conservação. No dia seguinte, sugeriu ao diretor Alexandre Brandes que a empresa liderasse uma reforma.
Dessa sugestão nasceu uma corrente. Nelson Martins, da Citrosuco, falou com o pároco. José Luís Monazzi conversou com Carlos Fernando Malzoni. A Marchesan entrou em seguida. Depois vieram Baldan, Bambozzi, Emmes, Frutropic. De empresa em empresa, de conversa em conversa, formou-se algo maior do que uma parceria: formou-se um movimento.
Quando esses empresários se reuniram na Fazenda Santa Carolina, em março de 1987, para organizar a divisão dos custos da obra da Igreja, perceberam que ali nascia algo histórico. Naquele delicioso jantar, surgia oficialmente o GEMA – Grupo Empresarial de Matão.
O Que Era o GEMA
O GEMA nunca foi uma entidade formal. Não tinha sede nem estatuto. Era união pura. Força espontânea. Compromisso moral com Matão. Seus integrantes não buscavam prestígio nem propaganda. Eram homens que sentiam a cidade — e que resolveram agir. Ser do GEMA era ser da gema de Matão: ser parte do núcleo que decide, faz e entrega. E eles entregaram.
Realizações Que Mudaram a Cidade
O GEMA não apenas reformou a Igreja Matriz. Ele recolocou Matão no trilho do desenvolvimento social, numa época em que a cidade vivia uma explosão industrial e agrícola.
Entre suas contribuições estão:
- Direção do Hospital (1987–1993), promovendo modernização, ampliação e renovação estrutural;
- Instalação do Corpo de Bombeiros (1984);
- Fundação do Grupo de Escoteiros;
- Feiras da Bondade da APAE;
- Delegacia do CIESP (1991);
- Apoio à Sociedade Esportiva Matonense;
- Eventos culturais e sociais que movimentaram e fortaleceram a comunidade.
Tudo isso sem um centavo de recurso público. Apenas com união e compromisso.
Por Que Essa História Precisa Ser Contada
Há expressões que definem pessoas. Outras definem épocas. E há aquelas que definem cidades. “Ser do GEMA” é uma delas.
Matão deve muito a esse grupo que, sem alarde ou interesses pessoais, dedicou tempo, recursos e pensamento estratégico para construir uma cidade melhor — e conseguiu.
Hoje, quando falamos do progresso local, da estrutura que nos acolhe e da identidade matonense, falamos também dessa força silenciosa que uniu empresários em torno do bem comum.
Essa história não pode ficar perdida em memórias isoladas. Precisa ser registrada. Precisa ser contada — para que Matão nunca esqueça de quem a ajudou a ser o que é.
O meu agradecimento especial ao amigo Nelson Martins, que testemunhou essa história como secretário executivo do grupo! Cabe destacar que ele, juntamente com dois colegas jornalistas, trabalha em seu segundo livro, o qual documentará essa trajetória completa, incluindo os participantes, as empresas envolvidas, os valores investidos, as motivações da iniciativa e, sobretudo, as obras sociais de grande relevância para Matão. Aguardem!

David Liesenberg,
é gerente de comunicação do Hospital de Matão